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25 de junho de 2012

Game Over?

                                                                         Imagem retirada de Deviantart.

A lâmina cortante contra a pele de meu pescoço... Pescoço, uma parte vital para a sobrevivência, onde se encontram as vértebras que protegem os nervos que fazem o pulmão e o coração cumprirem seu papel; que nos permite movimentar todos os outros membros abaixo dele; que guarda em si, logo após fina camada de pele, a carótida e a jugular... E, no entanto, apesar de ser uma parte tão importante para a sobrevivência humana, ela é tão frágil.

A ponta da lâmina, afiada, contra a delicada pele de meu pescoço... O medo invade o corpo, sua-se frio, perde-se o controle do pensamento, das suas cordas vocais saem apenas choros, gemidos incertos e suplicantes. O raciocínio se perde perante o olhar bruto e ameaçador Dele. Não consigo responder, apesar Dele inquirir insistentemente... O corpo quer reagir, mas está paralizado; por maior que seja a vontade de reagir, de empurra-lO e fugir, é impossível, Ele é mais forte do que eu e Seu olhar me domina de tal forma que mal tenho forças nos membros para lutar. Fico totalmente à mercê de Seu julgamento, a decisão agora está em Suas mãos de Dono, e a tranquilidade deve residir na resignação da kajira.

"O que devo fazer com você, hein, kajira?", sussurra Ele, em tons guturais, enquanto olha em meus olhos, cruelmente, e aperta ainda mais a lâmina contra meu pescoço. Eu só consigo chorar e pedir "por favor, por favor", isso faz com que eu me sinta patética, ao implorar por minha vida. "Eu realmente não sei se devo matá-la, ou se devo dar-te outra chance.", continua Ele, com aquele brilho maligno nas pupilas.

Uma lágrima escorre pelas maçãs de meu rosto, tendo como fim de sua jornada a mão em que Ele segura a faca, rente à minha garganta. Nesse momento, já estou tão apavorada, tão gemente, que sinto que nada mais importa, e me entrego completamente à Sua vontade. Cerro as pálpebras, pronta para aceitar Sua decisão com a mesma submissão com a qual O sirvo.

Repentinamente, a lâmina se afasta. "Vou dar-te um nova chance, kajira, sob condições." Abro os olhos e continuo imóvel. Ele solta-me e manda-me para frente do espelho. A pergunta: "Como vai esconder essas marcas em seu pesoço?" Respondo, em tom trêmulo e temeroso: "Vou usar maquiagem para disfarça-las, Dono." "Excelente!", exclama Ele. Dando tapinhas em Sua perna, ordenando-me a sentar-me em Seu cólo, Ele continua: "Sente-se aqui, kajira, vou instruir-lhe suas condições."

Ainda abalada, obedeço, enquanto Ele cria novas regras e leis, passando os dedos entre meus cabelos, segurando meu rosto em Suas mãos, beijando-me com tanto fervor, que sinto como se fosse a primeira vez que nossos lábios se tocaram. E em minha mente, apenas uma idéia reina: a de não falhar novamente.

3 de maio de 2012

Castigos

                                                                                     Imagem por santa-evita



Sei que não sou perfeita, que tenho lá meus erros e que falho.

Nesse sentido, o castigo se torna algo muito importante para uma kajira.

A kajira está lá pelo prazer de servir, está lá porque quer dedicar sua vida, entregar sua alma, e se deixar ser moldada pelo Mestre.

Já diz a filosofia Gor que o único direito de uma kajira é deixar seu Mestre, não ser mais uma escrava. Assim sendo, uma kajira se torna escrava por vontade própria, por um chamado interno, pelo dom de servir, querer e saber agradar seu Mestre.

Dessa forma, quando entrei para o meio BDSM, entrei por livre escolha, e tive a sorte de já encontrar, logo que coloquei meus pés nesse mundo, o Mestre ideal. Ele não é o ideal por ser o primeiro e único Mestre que eu já servi e sirvo, Ele é ideal porque minh'alma chama por Ele há muitos anos, porque sempre que eu pensava em me tornar uma kajira, era a figura dEle que sempre aparecia em minha mente. Porque é a Ele que eu amei em silêncio por anos sombrios e hoje, nosso relacionamento se tornou real, e a escuridão sumiu de minha vida.

No entanto, como toda novata, e como "mulher" que sempre teve que lutar e batalhar para conquistar posições como trabalho, estudo, dinheiro, posições que o mundo atual exige, eu nunca havia tido o direito de ser mulher de verdade. Quando Jabea me reencontrou, eu estava cheia de defeitos e cheia de escudos impostos pela sociedade.

Ele é o que de melhor me aconteceu, Ele me dá o direito de cumprir meu papel como mulher, que é cuidar, servir, ser devota, submissa. Com Ele eu não preciso me preocupar com o mal que o mundo pode me fazer, nem com o que pode acontecer amanhã. Com Ele, minha única preocupação é cuidar dEle, de Seu bem estar e de mim mesma, da minha aparência, e de aperfeiçoar minha servidão a cada dia para deixá-lO mais feliz e mais orgulhoso.

Mas não cheguei a Ele perfeita, como disse, cheguei cheia de escudos levantados e lanças afiadas, pois tinha que me virar sozinha e me defender sozinha, eu era o que todos somos: um exército de um "homem" só. Por isso educar é importante. Ele me mostrou que eu não devo ser um exército, que eu devo ser frágil, uma curandeira, Ele luta e eu O curo, cuido dEle, pois esses são os papéis. O Homem provém e a mulher serve. E a cada castigo para cada falha minha mais eu aprendo, mais eu cresço na luz daquEle que me guia.

Castigos são muito importantes para se educar uma kajira. Eles servem para que o Mestre faça de Sua serva uma sombra dEle, pois os atos de uma kajira mostram quem é o Mestre que ela serve.

E é por isso que eu agradeço a Ele cada castigo recebido, e digo que recebo os castigos que podem vir por eventuais falhas com resignação e submissão, pois meu maior prazer é servir, assim como o maior prazer do Jabea é servido pela propriedade dEle.

Maite zaitut, Jabea, eternamente.